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Primeira vacina disponível para o público pode ser chinesa. Resta saber qual

Por Antonio Carlos em 21/09/2020 às 06:19:12

Além dos quatro imunizantes chineses (CanSino, Sinovac, Sinopharm do Instituto Biológico de Pequim e do Instituto Biológico de Wuhan), outros cinco candidatos est√£o na fase 3. Instituto de Pesquisa Gamaleya (R√ļssia), Janssen Pharmaceutical Companies (EUA), Moderna (EUA), Pfizer (EUA) e Oxford/AstraZeneca (Reino Unido) também disputam essa olimp√≠ada da biotecnologia e todas contam com o apoio da torcida.

Recentemente, o Centro de Preven√ß√£o e Controle de Doen√ßas (CDC) dos Estados Unidos informou autoridades de Sa√ļde em todos os Estados americanos para se prepararem para distribu√≠rem a vacina até o come√ßo de novembro. A not√≠cia foi recebida com entusiasmo inclusive por investidores, gerando um dia de altas pelas Bolsas internacionais.

A vacina de Oxford, que parecia liderar a corrida, teve um contratempo depois de um voluntário apresentar reação adversa grave. Os testes, que tinham sido suspensos, já voltaram ao normal e a Anvisa autorizou a inclusão de mais 5 mil voluntários no estudo, mas a paralisação pode atrasar os planos do governo brasileiro de começar a vacinar a população no começo do ano.

Do Canad√° para a China

O dr. Yu Xuefeng, CEO da CanSino, disse em uma entrevista para o canal estatal CGTN que ele tem plena confian√ßa de que a vacina desenvolvida por eles é segura e só aguarda os resultados da fase 3 para confirmar sua efic√°cia. O cientista diz que a CanSino constrói paralelamente infraestrutura para produzir 200 milh√Ķes de unidades por ano a partir de 2021, mas alerta que a vacina√ß√£o é um processo longo.

"Leva tempo para imunizar todo mundo", explica ele. Questionado sobre seus concorrentes, Yu se mostrou cético em rela√ß√£o à vacina da Moderna por falta de informa√ß√Ķes, mas disse torcer para que outras farmac√™uticas consigam um resultado positivo. O executivo também espera que o seu produto possa ser usado em pa√≠ses ocidentais e que a pol√≠tica n√£o interfira na imuniza√ß√£o.

Yu era um alto executivo da filial da francesa Sanofi no Canadá quando resolveu voltar para a China para fundar a CanSino. Em tom bem descontraído em uma carta a investidores, Yu conta sobre um churrasco em um dia de sol em Toronto e como depois de algumas cervejas ele tentava convencer os colegas cientistas a embarcarem na nova empresa.

O abismo entre China e Canad√° no ramo das vacinas era o seu principal argumento. "Ninguém discordava desse fato, mas fazer algo a respeito precisou de algum convencimento. Nós t√≠nhamos bons empregos nas grandes farmac√™uticas, prest√≠gio, dinheiro, vida confort√°vel. A vida dos sonhos para alguns", explica.

A ajuda de uma heroína nacional

O primeiro grande desafio da CanSino foi a cria√ß√£o de uma vacina contra o ebola, em 2015, para combater a doen√ßa em Serra Leoa, na África. A for√ßa-tarefa teve parceria com uma equipe do exército chin√™s liderada pela dra. Chen Wei. A major general Chen Wei acaba de ganhar o t√≠tulo honor√°rio de "Herói do Povo" pelo trabalho no combate ao coronav√≠rus, mas ela é conhecida no pa√≠s h√° bastante tempo.

Ela diz que durante a epidemia de Sars os per√≠odos de pesquisa eram muito longos. "Eu tentava n√£o beber ou comer antes do trabalho, mas algumas vezes eu usava fraldas para permanecer mais tempo no laboratório", confessou em uma entrevista a uma TV estatal. Chen também ficou longe da fam√≠lia por quase metade de 2012.

No come√ßo do ano, Chen foi mais uma vez convocada, agora para lutar contra o novo coronav√≠rus em Wuhan. Ela disse que suava muito dentro do laboratório e a primeira coisa que fez foi cortar os cabelos bem curtos para n√£o atrapalharem o trabalho. 50 dias depois, ela tinha alguns cabelos brancos a mais pelo estresse provocado pela pandemia e uma vacina candidata para testes em animais. Resta saber se essa ser√° a vencedora na corrida mundial entre os cientistas. (Com ag√™ncias internacionais)

Fonte: Banda B

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