BA: Lançado Plano Estadual da Mãe Saudável que visa reduzir a sífilis congênita

Com o objetivo de reduzir a sífilis congênita (transmissão de mãe para filho), a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) lançou, nesta segunda-feira (8), o Plano Estadual da Mãe Saudável. O evento ocorreu na Maternidade de Referência José Maria de Magalhães Netto, localizada no bairro de Pau Miúdo, com a presença do secretário da Saúde, Fábio Vilas-Boas. A iniciativa visa reduzir a transmissão vertical da Sífilis, doença que em 2016 atingiu 2.706 gestantes e, destas, nasceram 1.444 crianças contaminadas.

O titular da Sesab, Fábio Vilas-Boas, pontuou que a sífilis é um problema extremamente grave, mas com o tratamento adequado a chance de cura é de 100%. “O estado vai garantir a compra e distribuição para os municípios da penicilina benzatina, medicamento utilizado para o tratamento as sífilis”. O secretário ainda destacou que o estado está investindo cerca de R$ 60 milhões para reestruturação das maternidades para que tenham condições de atender a demanda.

A meta inicial é reduzir em 20% a incidência da doença em menores de 1 ano, até 2021. Com isso, a previsão é aumentar a cobertura da testagem durante o pré-natal em 80%, até dezembro de 2021. Já referente ao tratamento, para este mesmo período, a estimativa é ampliar a cobertura das ações de profilaxia de transmissão vertical da sífilis em gestantes/parturientes e em crianças expostas, com a oferta de 80% de tratamento adequado de recém-nascidos com sífilis congênita. Para isso, o trabalho tem que ser em conjunto entre estado e municípios.

Sob a responsabilidade do Estado estão ações, como ampliar o acesso da gestante e de suas parcerias sexuais à penicilina em todas as unidades de saúde da rede de atenção; apoiar atividades de educação permanente; promover articulação com as representações das instâncias de gestão, conselhos de categorias e com a sociedade civil organizada para integrar esforços no enfrentamento da sífilis; promover integração com instituições de ensino superior para apoio às ações da atenção ao pré-natal e vigilância epidemiológica da sífilis e da sífilis congênita, tanto para as gestantes quanto para as suas parcerias sexuais; apoiar os municípios para criação e institucionalização de Comitês de Investigação da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatite B, preferencialmente integrado com Comitês de Mortalidade Materna, Infantil e Fetal.

Já aos municípios, cabe desenvolver ações efetivas para a administração da penicilina nas unidades da atenção básica; implementar ações de vigilância epidemiológica da sífilis, com destaque para sífilis em gestantes e da sífilis congênita, no município, em todos os níveis de atenção; notificar no SINAN todos os casos de sífilis (adquirida, gestante e congênita); implantar/implementar a busca ativa de sífilis congênita em menores de dois anos, em hospitais, maternidades, dentre outros.

Humanização no atendimento

Além do lançamento do Plano Estadual da Mãe Saudável, o secretário Fábio Vilas-Boas inaugurou na Maternidade de Referência o centro de costura, iniciativa com o intuito de racionalizar o uso dos recursos para fabricação de rouparia. Outro espaço aberto foi o Embeleze Mamãe, onde as pacientes aprendem a valorizar a beleza e ter uma melhor autoestima.

“É um ganho significativo para as pacientes que passam um tempo prolongado na unidade. Esses projetos trazem o acolhimento para essa estadia. Acaba interferindo positivamente na própria reabilitação da gestante e das mães”, disse a diretora administrativa da maternidade, Karine Valverde.

Uma das gestantes que aproveitou o espaço Embeleze Mamãe foi Luana Domingues dos Santos. Internada há quatro dias na Maternidade de Referência ela conta que está sendo bem atendida na unidade. “Além do atendimento de qualidade, temos agora esse espaço que ajuda a amenizar as preocupações”, disse Luana.

Sífilis em números

É uma doença infecciosa sistêmica, que apresenta evolução crônica, sujeita a surtos de agudização quando não tratada adequadamente. A transmissão se dá através de relações sexuais e transmissão direta (mãe para filho). No primeiro caso, o risco de infecção é de em 60%. Na Bahia, os casos de sífilis adquiridos entre os anos de 2012 a 2016, notificados no Sinan são 15.948.

Já na transmissão direta, a doença é passada de mãe para filho durante a gestação. Neste caso, a taxa de infecção em mulheres não tratadas é de 70 a 100%. O diagnóstico da sífilis gestacional é simples e o seu rastreamento é obrigatório durante o pré-natal. Ainda assim, essa patologia apresenta elevada prevalência, afetando anualmente cerca de um milhão de gestantes no mundo. Na Bahia, foram notificados 12.330 casos de sífilis em gestantes (Sífilis Congênita), entre os anos de 2007 e 2016. O surgimento dos primeiros sintomas geralmente ocorre nos primeiros três meses de vida. Assim, evidencia-se a importância da triagem sorológica durante a gravidez, para intervenção imediata e acompanhamento adequado da gestante.

Fonte: Ascom/Sesab